Escola de Enfermagem
Faculdade de Ciências Médicas
UNIVERSIDADE CATÓLICA TIMORENSE (UCT) SÃO JOÃO PAULO II
AULA VI
Estado de Choque
Professor
Dinis das Neves Soares de Sousa, Lic. Enf., MARS
Dili, 19/02/2025
Escola de Enfermagem
Faculdade de Ciências Médicas
UNIVERSIDADE CATÓLICA TIMORENSE (UCT) SÃO JOÃO PAULO II
AULA VI
Estado de Choque
Professor
Dinis das Neves Soares de Sousa, Lic. Enf., MARS
Dili, 19/02/2025
A.Conceito
Choque é uma manifestação clínica caracterizada pela queda brusca e intensa de oxigênio no sistema circulatório, descompensando outros sistemas do organismo, e pode levar o indivíduo à morte.
Considera-se choque a situação de falência do sistema cardiocirculatório em manter todos os órgãos abastecidos
A. Classificação
1.1 Choque Hipovolêmico
Nesse tipo de choque, ocorre redução do volume sanguíneo, resultando em distúrbios celulares
Tipo mais comum, a sua causa principal decorre da perda de líquido da circulação vascular, com insuficiência do volume circulatório (Bacon J et al, 2008)
Hemorragia interna ou externa.
Perda de plasma em grandes queimaduras e lesões traumáticas.
Desidratação de grau III.
a fratura de fêmur, perde-se aproximadamente 1 litro de sangue
Sinais e sintomas
Ansiedade e agitação,
sede intensa,
fraqueza,
tontura,
hipotensão,
respiração rápida e profunda,
pulso rápido, pele fria e úmida.
Tratamento:
Reposição rápida de solução salina e/ou sangue.
Controlar o sangramento
1.2 Choque Hemorrágico
hemorragia intensa, de início súbito, com perda de volume sanguíneo considerável
Sinais e sintomas
Taquicardia, taquipneia,
hipotensão,
ansiedade,
pele fria e úmida, lábios descorados, cianose de extremidades,
alteração do nível de consciência e perda sanguínea visível.
Tratamento:
Reposição imediata de sangue e derivados e líquidos
Choque Não Hemorrágico
paciente tem um desequilíbrio e uma descompensação do nível de circulação sanguínea.
Diabetes melito e em casos de queimadura, desidratação
diarreias crônicas
Sinais e sintomas
Taquicardia,
hipotensão,
sudorese,
pele fria, úmida e pegajosa,
e alteração do nível de consciência.
1.3 Choque Cardiogênico
O coração não bombeia o sangue efetivamente para os demais órgãos.
detectado por eletrocardiograma (EEG)
Aparece também no infarto agudo do miocárdio e em outras patologias clínicas do coração.
O choque cardiogênico é caracterizado pela falência do coração como bomba cardíaca pela
diminuição da força de contração, pela diminuição do débito cardíaco e pelo aumento da pressão venosa central (PVC)
Sinais e sintomas
Taquicardia,
hipotensão,
ansiedade,
sudorese,
pele fria e úmida
e alteração do nível de consciência.
Tratamento:
» Não é necessário repor perdas líquidas de imediato.
» Administrar oxigênio.
» Manter a vítima em posição semi-Fowler
1.4 Choque Obstrutivo
Caracterizado pela dilatação vascular excessiva, vasoplegia, presente também na septicemia, na intoxicação por cocaína, no trauma cranioencefálico (TCE) e na reação anafilática.
O choque septico representa 55% dos casos de choque distributivo (Lisboa et al., 2025)
B. Outros Choques
Ciclo do estado de choque
Quadro Clínico
Pulso:
Perfusão periférica:
Frequência respiratória:
Pressão arterial:
Oligúria:
Temperatura:
Distúrbios neurológicos:
O que fazer fora do ambiente hospitalar?
Lateralizar a cabeça, evitando que aspire vômito.
No caso de acidente, remover a vítima com cuidado, e atenção especial à região cervical.
Elevar os membros inferiores, na mesma altura, o que contribui para o retorno venoso.
Afrouxar as roupas e os acessórios.
Manter a vítima aquecida.
Não dar líquidos à vítima.
Aguardar o socorro médico ou transferir a vítima para o posto médico mais próximo
C Atendimento pré-hospitalar
Fazer um rápido exame físico na vítima e avaliar o tipo e a causa do trauma.
Verificar o nível de consciência, fazendo perguntas à vítima
Manter vias aéreas superiores livres e observar a respiração.
Observar características da dor
Transportar a vítima com os membros inferiores elevados, se houver sinais de choque.
D. Assistência de enfermagem na hospitalização
Fazer uma análise do que aconteceu.
Puncionar acesso venoso de grosso calibre, colher amostras de sangue e manter hidratação conforme orientação médica.
Verificar os sinais vitais, instalar oxímetro de pulso, com monitorização.
Manter material para sondagem vesical de fácil acesso, visto que, após um trauma com lesão medular, a bexiga torna-se anatômica e não se contrai, ocorrendo seu hiperestiramento
Considerações gerais ao enfermeiro e à sua equipe
Avaliar a causa do choque e orientar sua equipe para atuar de forma sistêmica
O tratamento do choque consiste na reposição volêmica, de acordo com a conduta médica
Exames como gasometria e controle de hematócritos e de eletrólitos devem ser colhidos diversas vezes.
Utilizar colchão térmico, ou de ar, para manter a vítima aquecida
Atenção ao uso de analgésicos
Toda indicação e conduta de administração de medicamentos são de responsabilidade médica
E. Ação medicamentosa sobre o estado de choque
Dopamina: Via de administração: endovenosa. Ação - droga vasoativa, vasoconstritora potente
Dobutamina: Via de administração: endovenosa. Ação - droga também vasoativa que tem melhor resposta no trabalho cardíaco e na congestão pulmonar.
Noradrenalina: Via de administração: endovenosa. Ação - vasoconstritor periférico de alta potência, elevando a pressão de forma acelerada.
Hidrocortisona: Via de administração: endovenosa. Ação - diminui o edema e proporciona melhor resposta inflamatória.
Referências
Santos, Nívea Cristina Moreira Enfermagem de pronto atendimento : urgência e emergência / Nívea Cristina Moreira Santos. -- 1. ed. -- São Paulo : Érica, 2014.
Curso de especialização profissional de nível técnico em enfermagem – livro do aluno: urgência e emergência / coordenação técnica pedagógica Julia Ikeda Fortes ... [et al.]. São Paulo : FUNDAP, 2010. ---p. (Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo) ISBN 978-85-7285-127-5.
Bacon J., 2008. Estados de choque: avaliação e tratamento.
Lisboa et al., 2025. O Estado de Choque: Classificação e Estratégias Iniciais de Manejo. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences Volume 7, Issue 2 (2025), Page 2073-2086. Revista Médica de Minas Gerais 2008; 18(3 Supl 4): S16-S19 .